<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8261528377218380519</id><updated>2011-11-17T04:37:23.124-08:00</updated><category term='contos meus'/><title type='text'>Veridiana Gonçalves</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jess Veridiana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05121218408885125161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-0FqwO9zvZs4/ThPFTWhSOiI/AAAAAAAABdU/KLFiXv4CrWA/s220/%2523avatar%2Bvj.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8261528377218380519.post-4503561365950988637</id><published>2010-06-27T18:46:00.000-07:00</published><updated>2010-07-11T19:28:19.939-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos meus'/><title type='text'>A Máquina do Tempo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Texto escrito em abril de 2010, quando eu tive o grande desejo de voltar no tempo e mudar algumas das minhas falas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mesmo com persistência, seria impossível materializar, manipular o tempo e encaixá-lo, como um quebra-cabeça, no espaço. O tempo pode ser instável, imprevisível e sem domínio próprio. Como quem domina uma besta, tentei por vezes controlá-lo e fazer dele escravo meu. Comprei relógios, cronômetros e contadores regressivos, na tentativa de domá-lo e transformá-lo em refém das minhas vontades, necessidades e maiores anseios. Todavia, vi me frustrada diante de todo esforço.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como o ar, não posso segurar ele com minhas mãos. Meus recursos, como a gentileza, a benevolência e o espírito servil são cruelmente ignorados. Não há algo permutável para que eu possa obter dele a sua obediência. Por mais que todas as coisas sejam a mim submissas e tudo colabore para que eu tenha bom êxito, inúteis são minhas tentativas de suborná-lo.  Esta evidente incapacidade minha  é mais perceptível ao vê-lo me dar ordens e seqüestrar-me os momentos mais intensos, e diante disso, me sinto deprimida. Não ouve a minha voz.  E não é fácil lutar desarmada contra um inimigo que,  sem recurso algum, facilmente lhe vence. Dominei os poderes da gravidade,  da comunicação, da cognição e tantos outros, talvez por isso não aprendi a aceitar a derrota e entender que para certas coisas não há luta, apenas  há resignação. Qual jovem que se indigna com as injustiças do mundo, qual criança que quer ser astronauta, tal eu sou, nesta minha incessante batalha.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Hoje estou mais bem preparada que em dezembro, porém estar pronta não é mais a questão. A questão é estar em dezembro, é poder estar, é ser capaz de algo imaterial e intocável. Se a entropia explica porque eu não posso voltar, me revolta saber que ela me deu a conhecer tarde o que tão antes precisei saber. Se tudo está em constante desorganização, por que não me acho e não me encaixo nesta bagunça? No ímpeto, decido mudar o ambiente, e agir à minha maneira, pegar o meu chicote e ditar as regras. O regulamento foi bem escrito, assinado e acordado por todos os que dele tirarão algum proveito. O papel resolve muitas coisas, lhe dá o remédio para que você não morra, o descanso que você não tem ou a pessoa que você procura. Fama, glória e um aparente poder. Uma folha com frases consegue gerar um inferno ou elevar à paz completa a qualquer indivíduo, desde que as palavras estejam na disposição adequada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os papéis têm muito valor para os homens, e é num destes papéis que escrevo este texto. E escrevo em vão, um texto que seu destinatário lerá e rir-se-á da minha inocência. Externar minhas indignações teria algum louvor? Tirariam de mim a agonia ou destrancariam algum sentimento que agora me sufoca? Por encontrar conforto, continuo escrevendo. Por ter zelo, continuo acreditando, mas sem coragem de declarar que nada resta mais.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um acordo, um tratado? Façamos um negócio, unamos o fantasma ao lençol e vejamos. Se ele assustar alguém, eu já me dou por satisfeita. O problema é conseguir fazer um lençol com furos permanecer suspenso sobre um ser sequer possui corpo. Mesmo indo à loja certa,  comprando as peças ideais, não há projeto, proposta ou engenheiro que faça para mim uma máquina do tempo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;&lt;img alt="Licença Creative Commons" style="border-width:0" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nd/3.0/88x31.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://purl.org/dc/dcmitype/Text" property="dc:title" rel="dc:type"&gt;A Máquina do Tempo&lt;/span&gt; de &lt;a cc="http://creativecommons.org/ns#" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/06/maquina-do-tempo.html" property="cc:attributionName" rel="cc:attributionURL"&gt;Veridiana Gonçalves&lt;/a&gt; é licenciado sob uma &lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;Licença Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Based on a work at &lt;a dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/06/maquina-do-tempo.html" rel="dc:source"&gt;veridianagoncalves.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8261528377218380519-4503561365950988637?l=veridianagoncalves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/feeds/4503561365950988637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/06/maquina-do-tempo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/4503561365950988637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/4503561365950988637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/06/maquina-do-tempo.html' title='A Máquina do Tempo'/><author><name>Jess Veridiana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05121218408885125161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-0FqwO9zvZs4/ThPFTWhSOiI/AAAAAAAABdU/KLFiXv4CrWA/s220/%2523avatar%2Bvj.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8261528377218380519.post-2641582203078353353</id><published>2010-05-12T20:12:00.000-07:00</published><updated>2010-07-11T17:16:17.156-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos meus'/><title type='text'>Um dia cinza.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às seis horas da manhã, abro a janela do meu quarto. Por ela entra um vento frio, que aos poucos contamina todo o ambiente. Me escondo entre os cobertores e um sorriso vem aos meus lábios. O inverno é isso. A temperatura ideal é quando o vento passa pelo seu rosto e parece flertar com seus cabelos e fazê-la ruborizar. Os dedos gelam e todos são seduzidos pelo vento glacial que quer brincar com cada parte do seu corpo. Trocar de temperatura, lhe mostrar suas diferenças, experimentar novas sensações. Neste clima, a água da torneira parece se ofender com quem cujos dedos desejam traspassá-la, e na mesma medida, ela desconta em mim suas gélidas gotas, que me descolorem os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo parece me convidar para uma festa, o sol se comporta e assume sua posição de respeito. Nada de transpiração que não seja por amor, nada de irritação que não seja por problemas. O melhor calor a ganhar é um abraço ou um chocolate quente. Não há presentes, não há nada que seja dado que antes eu já não tenha recebido ou que não seja uma simples devolução de tudo o que eu fui antes. Ao olhar à minha volta, tenho a impressão de que tudo está morrendo. Os pássaros não cantam como antes, onde estarão as borboletas? As pessoas ficam mal humoradas, por terem que abandonar seus leitos confortáveis, como estes são somente durante esta estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As oportunidades parecem se fechar, e quando tento traçar para onde estou indo, não há futuro algum. Não existem coisas boas que estão esperando por acontecer, ou então uma mãe que passe a mão na minha cabeça e diga que está tudo bem, que basta dormir e tudo passará. As flores se foram, e com elas toda a cor. Não há rosa, nem verde. De fato, toda a sensação que se espera ter após a conquista dos sonhos fica cinza. E parece que não há nada mais que possa me animar. Os sorrisos, as congratulações, as vitórias, tudo está estagnado e sem propósito de prosseguir com sua existência no acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As verdades cada vez mais se convertem em um buraco negro, em que não posso ver o que eu sou ou me avaliar, e concluir se me agrado ou não do que tenho me tornado. Cada coisa nova a fundo, é  uma reinvenção de tudo o que já aconteceu, e nem o cair das folhas consegue surpreender ou alterar a mesmice. E ao rebuscar algumas folhas, percebo que também elas morrem. Tudo que se eleva, um dia ao chão torna e põe fim à sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada manhã é mais gelada que a anterior e o vento desafia meus ímpetos de chegar a algum lugar. O que antes era sedução e contemplação se tornou em ferimento, minha pele desidrata-se e percebo que não sou vitoriosa nesta batalha. O encolhimento das coisas, o afastamento das pessoas, a falta de esperança, tudo provoca-me a desistir. O sol não é um encorajamento, pois ele mal aparece. É como se sua presença fosse ausente, mesmo ao meu lado. É como se seu brilho não fosse mais capaz de me aquecer ou me fazer esquecer das coisas não boas. As energias são sugadas aos poucos e há um incentivo do corpo inteiro em viver apenas do metabolismo basal, nada de esforços, nada de correr e também nada de se decepcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, que evitaria pelo simples fato de não praticar? Acaso meu silêncio, minha indiferença e meu medo neutralizaria o ambiente ou impediria a infelicidade alheia? Com a visão confusa, decido olhar pela janela. Há um pequeno ser perto dela, que tem consigo algo que eu não esperava, um botão de uma rosa. É pequeno ainda, mal está verde, mas como eu, ele aguarda o momento de se manifestar, aguarda o desenrolar dos acontecimentos, o inconveniente calor do verão, que me obriga a sair do meu lugar e procurar uma sombra. Quando este botão crescer e florir com ele também virão os espinhos. Mas que espinho é capaz de tirar o frescor e a beleza de uma rosa?&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style=";font-family:Georgia;font-size:13.5pt;color:black;"   &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;&lt;img alt="Licença Creative Commons" style="border-width:0" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nd/3.0/88x31.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://purl.org/dc/dcmitype/Text" property="dc:title" rel="dc:type"&gt;Um dia cinza&lt;/span&gt; de &lt;a xmlns:cc="http://creativecommons.org/ns#" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/05/um-dia-cinza.html" property="cc:attributionName" rel="cc:attributionURL"&gt;Veridiana Gonçalves&lt;/a&gt; é licenciado sob uma &lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;Licença Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Based on a work at &lt;a xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/05/um-dia-cinza.html" rel="dc:source"&gt;veridianagoncalves.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8261528377218380519-2641582203078353353?l=veridianagoncalves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/feeds/2641582203078353353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/05/um-dia-cinza.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/2641582203078353353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/2641582203078353353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2010/05/um-dia-cinza.html' title='Um dia cinza.'/><author><name>Jess Veridiana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05121218408885125161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-0FqwO9zvZs4/ThPFTWhSOiI/AAAAAAAABdU/KLFiXv4CrWA/s220/%2523avatar%2Bvj.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8261528377218380519.post-3189763648460033017</id><published>2009-04-15T14:36:00.000-07:00</published><updated>2010-07-11T17:12:08.356-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos meus'/><title type='text'>A caixa de doces</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CNinne%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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Cada um consegue tocar a minha palatabilidade de forma diferente. Mais açúcar, mais amargo. Denso, firme. Uma crosta que pode ser rompida com dificuldade, e que quando o consegue libera um caldo doce ao paladar. Tal rompimento é demorado, mas a fluidez interior é dotada de leveza, dulçor e ternura. Faz-me lembrar que a dura casca sempre é um bom desafio. Alguns desafios me tentam por serem demasiado complexos e por exigirem paciência e diligência. Às vezes no percurso perde-se, desgasta-se um pouco do esmalte dos dentes. Então considero que saí desfavorecida, que permiti levarem algo de mim. Porém ao olhar, percebo que não perdi nada, apenas permutei o meu sabor pela sua impressão. A crocância não pode ser sentida sem a quebra. Mas como crer nela se não há o desafio de quebrar? Se a mandíbula é forçada, sente-se dor. Porém se, para desvencilhar a dificuldade, eu tirar da minha boca e resolver esmagar com meus pés, que deleite terei?Somente a minha língua pode transmitir a mim o sabor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Arriscar-me-ei a quebrar um dente por uma especiaria que não posso afirmar que doce é? E se tão alto preço não for galardoado com grandeza? Mas nada o prêmio é se a tentativa não me trouxer algum aprendizado. Portanto, não há riscos se o próprio desafio constitui uma vitória.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Quando me vejo, irrefletidamente introduzi a iguaria à boca, se dura ou crocante não sei. Se doce, amarga ou apimentada é impossível afirmar com a visão e o tato. No entanto, os sabores que já experenciei me motivam o suficiente a prosseguir com o ato. Agridoce, suave, encorpado, não haveria um favorito se não fossem todos conhecidos. Então me disponho, me encorajo e acredito que posso cuspir e eliminar o que não for do meu agrado. Porém frusto-me ao saber que desde a boca há efetiva absorção de um ou outro nutriente. A troca já ocorre muito mais cedo do que eu cria. Frusto-me ao lembrar que a via sublingual é muito utilizada para medicamentos que necessitam rapidamente ir para a corrente sanguínea. A velocidade de uma reação como essa é superior ao tempo necessário para minhas análises e sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Já está em minha boca e mesmo que eu vomite, é impossível apagar o registro. Boas ou más, as memórias existem para nos remeter a uma alegria ou arrependimento. Enquanto me mantenho tola nestas considerações, a saliva sem minhas ordens, desintegra a iguaria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A casca é mesmo dura. E esse nem era o docinho mais atraente da caixa. Não saberia definir os motivos da minha escolha. Eu forço e então à terceira tentativa ele se desfaz. Estacionada na sensação gustativa, o meu cérebro busca em diversos arquivos onde há a compatibilidade deste momento. As papilas são inundadas por um mar que não afoga, mas liberta. Os olhos fecham-se, para não distrair o instante. O ouvido ouve uma música conhecida. É uma liberdade encontrar um sabor que traz à lembrança um gosto de si mesmo. De que ainda há doçura. É semelhante a um lugar secreto que se encontra e se é encontrado por ele.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Antes que engolisse tudo, tive a certeza de que por alguns instantes havia voltado novamente para minha casa, onde a cozinha exala o aroma de biscoitos assados e onde as janelas e os ventos respondem aos meus devaneios sussurrando em meus ouvidos. Mesmo finalizando a deglutição, o gosto eterniza-se, pois já existiu e agiu dentro de mim. Já foi para a corrente sanguínea e já faz parte da minha constituição. &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;&lt;img alt="Licença Creative Commons" style="border-width:0" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nd/3.0/88x31.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://purl.org/dc/dcmitype/Text" property="dc:title" rel="dc:type"&gt;A caixa de doces&lt;/span&gt; de &lt;a cc="http://creativecommons.org/ns#" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/04/caixa-de-doces.html" property="cc:attributionName" rel="cc:attributionURL"&gt;Veridiana Gonçalves&lt;/a&gt; é licenciado sob uma &lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;Licença Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Based on a work at &lt;a dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/04/caixa-de-doces.html" rel="dc:source"&gt;veridianagoncalves.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8261528377218380519-3189763648460033017?l=veridianagoncalves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/feeds/3189763648460033017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/04/caixa-de-doces.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/3189763648460033017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/3189763648460033017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/04/caixa-de-doces.html' title='A caixa de doces'/><author><name>Jess Veridiana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05121218408885125161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-0FqwO9zvZs4/ThPFTWhSOiI/AAAAAAAABdU/KLFiXv4CrWA/s220/%2523avatar%2Bvj.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8261528377218380519.post-4257534788921670094</id><published>2009-03-25T17:18:00.001-07:00</published><updated>2010-07-11T17:06:05.016-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos meus'/><title type='text'>Sublimar e ressublimar</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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O pingo pretensioso, por si só, em ser um notável em meio à imensidão branco-acinzentada, aventura-se a confiar no vento. Este, porém não lhe dá tempo para pensar e medir conseqüências. Somente o conduz pelo caminho à sua frente, em que outros tantos pingos solidificados passam a acreditar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Conforme rolam pelo caminho, sua capacidade de agregação aumenta, e então muitos pingos e uma folha tornam-se uma formosa bola. E passa a ser natural o percurso a trilhar, como se cada tronco, pedra e planície apenas fizessem parte de lhe acrescentar o essencial e eliminar-lhe seus falsos adornos. Sua forma não consegue mais ser disforme, pontiaguda ou irregular. Já não há mais medo do vento forte que sopra, pois a aglomeração é tamanha que a gravidade já tomou seu posto de comandante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;A aparência se torna tão visível e consistente. O pingo que a pouco se envolveu com a folha, regozija-se do prodigioso feito. Eis uma bola, uma tremenda bola! Mesmo imperceptível à magnitude do ato, o contemplar sua realização através daquele movimento circular constante e progressivo já lhe traz a satisfação que deixa mudo todo anseio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;O comandante, porém, segue cabalmente as ordens, ignorando qualquer realidade interior, e o que era uma gigante e imponente bola de neve, precipita-se em uma frondosa árvore, espalhando seus muitos pingos e dando fim a tudo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;No incidente, o pingo separa-se de sua folha por não menos de três palmos e não consegue ir ao seu encontro. Por um momento, sua vontade e determinação parecem dar a ele o poder da mobilidade aérea, e por dentro ele sorri. Todavia, este domínio não lhe pertence, e sente como de maneira sutil, o sol lhe aquecer, tornando-o fluído e depois vapor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;A obediência o carrega a cumprir seus deveres, e ao céu mais uma vez torna. No entanto, quando se é diferente, nenhuma coletividade é capaz de padronizá-lo à igualdade. Nenhuma lei lhe é capaz de deter e nenhum ambiente lhe é suficientemente hostil ou inoportuno a ponto de torná-lo nulo, comum. Nada lhe podem matar as moléculas que fervilham em seu interior e que lhe solicitam um contra-ataque. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E o pingo então decide tornar à sua folha, pois mesmo fazendo parte de um todo homogêneo, só o conhecer o vento, o frio, a solidez e a natureza lhe fazem perceber que a existência terá sabor singular se lhe obedecer ao anseio latente de sua alma. E nem mesmo mil verões serão capazes de lhe persuadir a desistir de ser novamente uma bola de neve. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;&lt;img alt="Licença Creative Commons" style="border-width:0" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nd/3.0/88x31.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://purl.org/dc/dcmitype/Text" property="dc:title" rel="dc:type"&gt;Sublimar e ressublimar&lt;/span&gt; de &lt;a cc="http://creativecommons.org/ns#" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/03/sublimar-e-ressublimar.html" property="cc:attributionName" rel="cc:attributionURL"&gt;Veridiana Gonçalves&lt;/a&gt; é licenciado sob uma &lt;a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/"&gt;Licença Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Based on a work at &lt;a dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" href="http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/03/sublimar-e-ressublimar.html" rel="dc:source"&gt;veridianagoncalves.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8261528377218380519-4257534788921670094?l=veridianagoncalves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/feeds/4257534788921670094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/03/sublimar-e-ressublimar.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/4257534788921670094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8261528377218380519/posts/default/4257534788921670094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veridianagoncalves.blogspot.com/2009/03/sublimar-e-ressublimar.html' title='Sublimar e ressublimar'/><author><name>Jess Veridiana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05121218408885125161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-0FqwO9zvZs4/ThPFTWhSOiI/AAAAAAAABdU/KLFiXv4CrWA/s220/%2523avatar%2Bvj.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
