Às seis horas da manhã, abro a janela do meu quarto. Por ela entra um vento frio, que aos poucos contamina todo o ambiente. Me escondo entre os cobertores e um sorriso vem aos meus lábios. O inverno é isso. A temperatura ideal é quando o vento passa pelo seu rosto e parece flertar com seus cabelos e fazê-la ruborizar. Os dedos gelam e todos são seduzidos pelo vento glacial que quer brincar com cada parte do seu corpo. Trocar de temperatura, lhe mostrar suas diferenças, experimentar novas sensações. Neste clima, a água da torneira parece se ofender com quem cujos dedos desejam traspassá-la, e na mesma medida, ela desconta em mim suas gélidas gotas, que me descolorem os dedos.
Tudo parece me convidar para uma festa, o sol se comporta e assume sua posição de respeito. Nada de transpiração que não seja por amor, nada de irritação que não seja por problemas. O melhor calor a ganhar é um abraço ou um chocolate quente. Não há presentes, não há nada que seja dado que antes eu já não tenha recebido ou que não seja uma simples devolução de tudo o que eu fui antes. Ao olhar à minha volta, tenho a impressão de que tudo está morrendo. Os pássaros não cantam como antes, onde estarão as borboletas? As pessoas ficam mal humoradas, por terem que abandonar seus leitos confortáveis, como estes são somente durante esta estação.
As oportunidades parecem se fechar, e quando tento traçar para onde estou indo, não há futuro algum. Não existem coisas boas que estão esperando por acontecer, ou então uma mãe que passe a mão na minha cabeça e diga que está tudo bem, que basta dormir e tudo passará. As flores se foram, e com elas toda a cor. Não há rosa, nem verde. De fato, toda a sensação que se espera ter após a conquista dos sonhos fica cinza. E parece que não há nada mais que possa me animar. Os sorrisos, as congratulações, as vitórias, tudo está estagnado e sem propósito de prosseguir com sua existência no acaso.
As verdades cada vez mais se convertem em um buraco negro, em que não posso ver o que eu sou ou me avaliar, e concluir se me agrado ou não do que tenho me tornado. Cada coisa nova a fundo, é uma reinvenção de tudo o que já aconteceu, e nem o cair das folhas consegue surpreender ou alterar a mesmice. E ao rebuscar algumas folhas, percebo que também elas morrem. Tudo que se eleva, um dia ao chão torna e põe fim à sua existência.
Cada manhã é mais gelada que a anterior e o vento desafia meus ímpetos de chegar a algum lugar. O que antes era sedução e contemplação se tornou em ferimento, minha pele desidrata-se e percebo que não sou vitoriosa nesta batalha. O encolhimento das coisas, o afastamento das pessoas, a falta de esperança, tudo provoca-me a desistir. O sol não é um encorajamento, pois ele mal aparece. É como se sua presença fosse ausente, mesmo ao meu lado. É como se seu brilho não fosse mais capaz de me aquecer ou me fazer esquecer das coisas não boas. As energias são sugadas aos poucos e há um incentivo do corpo inteiro em viver apenas do metabolismo basal, nada de esforços, nada de correr e também nada de se decepcionar.
Porém, que evitaria pelo simples fato de não praticar? Acaso meu silêncio, minha indiferença e meu medo neutralizaria o ambiente ou impediria a infelicidade alheia? Com a visão confusa, decido olhar pela janela. Há um pequeno ser perto dela, que tem consigo algo que eu não esperava, um botão de uma rosa. É pequeno ainda, mal está verde, mas como eu, ele aguarda o momento de se manifestar, aguarda o desenrolar dos acontecimentos, o inconveniente calor do verão, que me obriga a sair do meu lugar e procurar uma sombra. Quando este botão crescer e florir com ele também virão os espinhos. Mas que espinho é capaz de tirar o frescor e a beleza de uma rosa?
Tudo parece me convidar para uma festa, o sol se comporta e assume sua posição de respeito. Nada de transpiração que não seja por amor, nada de irritação que não seja por problemas. O melhor calor a ganhar é um abraço ou um chocolate quente. Não há presentes, não há nada que seja dado que antes eu já não tenha recebido ou que não seja uma simples devolução de tudo o que eu fui antes. Ao olhar à minha volta, tenho a impressão de que tudo está morrendo. Os pássaros não cantam como antes, onde estarão as borboletas? As pessoas ficam mal humoradas, por terem que abandonar seus leitos confortáveis, como estes são somente durante esta estação.
As oportunidades parecem se fechar, e quando tento traçar para onde estou indo, não há futuro algum. Não existem coisas boas que estão esperando por acontecer, ou então uma mãe que passe a mão na minha cabeça e diga que está tudo bem, que basta dormir e tudo passará. As flores se foram, e com elas toda a cor. Não há rosa, nem verde. De fato, toda a sensação que se espera ter após a conquista dos sonhos fica cinza. E parece que não há nada mais que possa me animar. Os sorrisos, as congratulações, as vitórias, tudo está estagnado e sem propósito de prosseguir com sua existência no acaso.
As verdades cada vez mais se convertem em um buraco negro, em que não posso ver o que eu sou ou me avaliar, e concluir se me agrado ou não do que tenho me tornado. Cada coisa nova a fundo, é uma reinvenção de tudo o que já aconteceu, e nem o cair das folhas consegue surpreender ou alterar a mesmice. E ao rebuscar algumas folhas, percebo que também elas morrem. Tudo que se eleva, um dia ao chão torna e põe fim à sua existência.
Cada manhã é mais gelada que a anterior e o vento desafia meus ímpetos de chegar a algum lugar. O que antes era sedução e contemplação se tornou em ferimento, minha pele desidrata-se e percebo que não sou vitoriosa nesta batalha. O encolhimento das coisas, o afastamento das pessoas, a falta de esperança, tudo provoca-me a desistir. O sol não é um encorajamento, pois ele mal aparece. É como se sua presença fosse ausente, mesmo ao meu lado. É como se seu brilho não fosse mais capaz de me aquecer ou me fazer esquecer das coisas não boas. As energias são sugadas aos poucos e há um incentivo do corpo inteiro em viver apenas do metabolismo basal, nada de esforços, nada de correr e também nada de se decepcionar.
Porém, que evitaria pelo simples fato de não praticar? Acaso meu silêncio, minha indiferença e meu medo neutralizaria o ambiente ou impediria a infelicidade alheia? Com a visão confusa, decido olhar pela janela. Há um pequeno ser perto dela, que tem consigo algo que eu não esperava, um botão de uma rosa. É pequeno ainda, mal está verde, mas como eu, ele aguarda o momento de se manifestar, aguarda o desenrolar dos acontecimentos, o inconveniente calor do verão, que me obriga a sair do meu lugar e procurar uma sombra. Quando este botão crescer e florir com ele também virão os espinhos. Mas que espinho é capaz de tirar o frescor e a beleza de uma rosa?

Um dia cinza de Veridiana Gonçalves é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at veridianagoncalves.blogspot.com.
Lindo. Nostalgia, confusão e esperança.
ResponderExcluirA força que existe em si, vem de dentro do seu coração, movida por um grande amor. Digo eu.
Não serão os espinhos que a impedirão de sentir o perfume da rosa.
Repito-me, você é um talento da natureza.